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“Mulheres de Athenas” - comentário.

Análise de “Mulheres de Athenas” (1976), de Chico Buarque e Augusto Boal
Em “Mulheres de Athenas” (1976), composição de Chico Buarque e Augusto Boal, a submissão da mulher ao homem escrita em todos os versos.

“Mirem-se no exemplo...
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Athenas”

Como nos tempos de hoje ainda há mulheres que são submissas, indiferentes às lutas de gênero e feminismo, acredito que a análise da referida música pode trazer uma reflexão importante. A letra da música fala sobre mulheres do lar, sem desejos, que esperam por seus maridos, aceitam traição, não sonham, têm seus medos, são conformadas, não possuem desejos, aceitam sem reclamar e, justamente por isso, secam, ou melhor, morrem de todas as formas, pois não há vida onde não existe liberdade para viver. O machismo e a submissão das mulheres estão presentes em nossa cultura em todos os tempos. A letra trata dessa triste maneira de viver, em plena vida de renúncias por obrigação, apontando tal submissão com ironia, em busca de uma reação contrária por parte dessas mulheres. As mulheres de Athenas secam e morrem porque, diante da cultura machista, acabam se tornando submissas e coniventes com essa situação. A reflexão que fica é: que todas as mulheres nunca sejam mulheres de Athenas. Corroborando com o que o próprio autor Chico Buarque disse: “Eu disse: mirem-se no exemplo daquelas mulheres que vocês vão ver o que vai dar.” Trata-se de uma música bela e com certa dose de ironia, pois espera-se, ao contrário, que as mulheres ajam de maneira oposta, num perspectiva feminista. Contudo, uma crítica que cabe à canção no âmbito do feminismo é: são os homens que precisam dizer a maneira como as mulheres devem agir? Ou ainda: se as mulheres fossem realmente livres, os homens, únicos beneficiados com o machismo, precisariam dizer isso a elas?



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