25 de nov. de 2018

Queixas mortis - 1982



Hoje mataram-me aos poucos

Como te mataram, se a tua carne está aqui?!

Mas estou morta e inexisto; incomodo

Mas, se a carne viva está aqui?!

onde estás em espírito? Nunca tive isto.

Em que pensas, então?

Deveria ser um pensamento

Porém não tenho algum; implico

Quer dizer que morreu? Claro!

Basta olhar nos meus olhos Jorrou-lhe alma; cheiro de flores?! Não!?

Pareço fazer parte da parte útil?!

Olhe! Veja a minha jovialidade abalada

Meu corpo fraco de fumar tanto...

comer pouco e dormir ( suspiro)

Nem lembro de quando sonhei

Os pesadelos me cercam; atônitos

Vedada estou para a verdade.

Respiro algumas dores no peito

Meus cabelos fracos e sem cor

Posso mesmo mentir que existo?

Então como fora a tua morte?

Encheram minha razão de conflitos

Cercaram a verdade com insegurança

Desacreditaram em meus atos

Dialogar foi ficando distante,

esticaram meu cérebro ao máximo

Crucificaram - me em uma cruz calcária

Preencheram meus pensamentos com dúvidas

Trocaram a calma por uma alma vazia

Com este cérebro esticado tanto e tanto,

Soltaram o encolhendo em nós.

E até neste momento o que falo não penso

Digo coisas que saem porque sobrou o corpo

E assim, até o vento canta bonito assustando

Morri por pouco tempo

Agora sinto me melhor

Renascerei reencarnando no vento

Que é uma cantiga bonita e assustadora

Para ter a antítese em mim

Sendo bonita aos amigos sorrindo

Assustando e vomitando inimigos

Sendo "eu' quando deixarem que eu seja

Mas sei que é adolescência tardia e passa.