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31.5.18

Joana - em construção.


Carrego os percalços ando sem rumo em um rio sem mar.
Um pássaro aparece morto e Joana o enterra. (Ela parece que está longe, longe.)
Falta ar, está  escuro, não vejo saída nesta terra podre.
Vira o relógio que a hora acerta e outro dia recomeça. Finda a noite, o pássaro voa, Joana deixa o cemitério e me permito acordar dessa loucura pensante. O sol que agora brilha fortalece o cheiro de ave molhada, gente morta e um pássaro posto na gaiola.  Nada Joana abaixo do precipício. Quase nunca fora permitido viver e voar. Começaram as férias quem sabe, Joana e eu enterraremos um pássaro morto, e eu a faça entender alguma coisa. 

26.5.18

Engasgo

trago gole cuspido de café sem tomada
amargo olhar engolindo desejo seco
amarroto sorriso  aliso rugas revistas
com alma enternecida trago um rumo
                  sem rio
saboreio não desfruto  abro portas
passo luz  deixo  abertas finas frestas
visto vergonha engomada de pouca fé
                no armário   
goma endurecida  vidro via cristal
toco troco comprado repasso dinheiro
                     gasto
apanho bagagem quebrada  seco fio a fio
desentender te a noite passar no trilho liso
esperar o fim da via.  Des co nhe cer-te!
                    ~~——//\O

20.5.18

O vento

o vento que frag menta
proporciona brisa.
O mesmo vento que traz
tempestade
proporciona brisa.
Nem a mesma brisa nem
o mesmo vento
Nada terá o mesmo peso
Nada pode ser tal qual
Por mais que se queira
existir ao menos
uma barreira
um único empecilho
mesmo assim valerá
viver, sentir, cheirar,
amar, permanecer,
tentar, tessstar
Para ter a certeza
que viveu e não
obliterou;

16.5.18

Fotos narradas - app videoshow

Estamos narrando, através de fotos, algumas situações que chamaram nossa atenção na instituição, dentre as quais podemos mencionar tanto a quadra de esportes, que poderia ser coberta para melhor aproveitamento e conservação do espaço, quanto a presença de infiltrações, a falta de portas na maioria dos banheiros, entre outras coisas. Contudo, o que nos preocupa mesmo é a crescente onda de assaltos aos estudantes ao redor deste Instituto. Haja vista a violência urbana, e sua acentuação em detrimento da falta de iluminação e segurança pública, entre outros descasos resultantes de um sistema público decadente. Certamente, a falta de iluminação e de segurança ao redor da instituição contribuem para o aumento na frequência dos assaltos. Anteontem, após roubar o celular de um aluno, um assaltante ameaçou estudantes do Ifal através do aplicativo Whatsapp. Com o celular da vítima, o homem entrou no grupo da turma para avisar que estava aguardando os estudantes na saída, no mesmo lugar. Isso demonstra tanto a ousadia quanto a ciência do descaso do poder público em relação à segurança da população. A educação, que deveria ser a principal saída para melhores condições de vida, anda sendo ameaçada por falta de condições que permitam o mínimo de segurança no entorno das instituições de ensino, e essa ameaça parte também daquelas pessoas que  são vítimas do sistema, que deveria oferecer melhores condições de vida através da educação. Triste ironia.

Obs.: texto do vídeo app videoshow, fotos narradas.

Resenha crítica do filme “Escritores da liberdade”

Através da sensibilidade e conhecimento de uma professora ao utilizar métodos inovadores para o ensino, tanto na escrita quanto na leitura direcionada, a narrativa mostra o modo como ocorre a melhoria do aprendizado escolar, do convívio social e do entendimento entre as pessoas. A professora lida com uma turma de alunos que vivem em um contexto social violento e que enfrenta preconceitos diversos (racismo, intolerância religiosa, xenofobia etc). Com métodos de aprendizagem estimulantes e humanizadores, que operam tanto na escrita desses alunos, que contam seus problemas, quanto na abordagem da leitura, os alunos passam a conviver melhor uns com os outros, já que a aprendizagem amplia suas visões de mundo. De Richard LaGravanese, “Escritores da liberdade” (2007) mostra a luta entre gangues formadas por pessoas que possuem vários tipos de preconceitos e a consequente violência crescente em função desses desajustes. Além disso, a falta de autoconfiança por parte dos alunos leva-os a desacreditar na vida, e a perder a esperança. Por fim, todo esse processo é revertido e reconstruído na narrativa do filme através da leitura e da escrita, instrumentos importantes utilizados pela professora, para recuperar o gosto pela aprendizagem e o respeito naquela turma. Como ocorre com países em conflito, numa situação de guerra, o filme mostra que as divergências muitas vezes se passam em função da falta de diálogo e da falta de respeito às diferenças.

“Mulheres de Athenas” - comentário.

Análise de “Mulheres de Athenas” (1976), de Chico Buarque e Augusto Boal
Em “Mulheres de Athenas” (1976), composição de Chico Buarque e Augusto Boal, a submissão da mulher ao homem escrita em todos os versos.

“Mirem-se no exemplo...
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Athenas”

Como nos tempos de hoje ainda há mulheres que são submissas, indiferentes às lutas de gênero e feminismo, acredito que a análise da referida música pode trazer uma reflexão importante. A letra da música fala sobre mulheres do lar, sem desejos, que esperam por seus maridos, aceitam traição, não sonham, têm seus medos, são conformadas, não possuem desejos, aceitam sem reclamar e, justamente por isso, secam, ou melhor, morrem de todas as formas, pois não há vida onde não existe liberdade para viver. O machismo e a submissão das mulheres estão presentes em nossa cultura em todos os tempos. A letra trata dessa triste maneira de viver, em plena vida de renúncias por obrigação, apontando tal submissão com ironia, em busca de uma reação contrária por parte dessas mulheres. As mulheres de Athenas secam e morrem porque, diante da cultura machista, acabam se tornando submissas e coniventes com essa situação. A reflexão que fica é: que todas as mulheres nunca sejam mulheres de Athenas. Corroborando com o que o próprio autor Chico Buarque disse: “Eu disse: mirem-se no exemplo daquelas mulheres que vocês vão ver o que vai dar.” Trata-se de uma música bela e com certa dose de ironia, pois espera-se, ao contrário, que as mulheres ajam de maneira oposta, num perspectiva feminista. Contudo, uma crítica que cabe à canção no âmbito do feminismo é: são os homens que precisam dizer a maneira como as mulheres devem agir? Ou ainda: se as mulheres fossem realmente livres, os homens, únicos beneficiados com o machismo, precisariam dizer isso a elas?



15.5.18

Resumo do capítulo “Texto, contexto e coerência”, do livro Os sentidos do texto

CAVALCANTE, Mônica Magalhães. Texto, contexto e coerência. In: ______. Os sentidos do texto São Paulo: Contexto, 2013. p. 15-42.

RESUMO: A partir do ponto de vista da Lingstica Textual, o capítulo Texto, contexto e coerência”, do livro Os sentidos do texto, de autoria de Mônica Magalhães, discute a importância da coerência para a composição de um texto. Para a autora, um texto é coerente quando atinge uma unidade de sentido ou quando, do texto, é possível depreender uma intenção comunicativaO capítulo volta a atenção para as diversas concepções de texto e contexto, além de outros conhecimentos sobre a produção de um texto, que envolve o processo cognitivo social. É sugerida ao leitor uma reflexão sobre sua concepção textual a partir da abordagem dos gêneros textuais notícia e anúncio publicitário. Ambos possuem linguagens com sentido, público específico e uma determinada época. A autora demonstra que na produção de texto é preciso conhecimentos linguísticos e de convívio social e ressalta que atualmente a concepção de texto considera os contextos sociocomunicativo, histórico e cultural, competindo a interação do locutor com o interlocutor. Ao mostrar como exemplo de seu gênero a charge intitulada “aniversário de Brasília” exemplifica-se a ideia de que o contexto social inserido é necessário para a compreensão. Para explicar o processo cognitivo durante a produção de texto, de acordo com os estudiosos  Koch e Elias, Magalhães explica os três tipos de conhecimento: linguístico, quando o leitor/ouvinte usa seu conhecimento na interpretação do texto, como ocorre no gênero piada; enciclopédico, aquele que fica na memória permanente e é ativado durante a leitura, cujo exemplo dado é a paródia “Oração à Natureza”; e o interacional, que compreende que a linguagem ativa os conhecimentos que se referem às formas de interação, como ocorre no gênero notícia. Tais conhecimentos auxiliam na interpretação de texto, melhorando a capacidade de compreensão. Demonstra-se, durante o texto, a necessidade desses vários conhecimentos para que um texto tenha sentido, além dos conhecimentos que se encontram na superfície de um texto (cotexto), como o conhecimento implícito acionado pelo interlocutor para dar sentido (contexto), e que constituem o que permite a coerência ao texto. Um texto pode ser prejudicado ao apresentar algumas quebras de coerência e, para que isso não ocorra, deve-se ter atenção a esses aspectos: continuidade (permanência em seu desenvolvimento), progressão (informações que melhoram o sentido do texto), não contradição (respeitar princípios lógicos elementares), e articulação (modo como fatos e conceitos se organizam). Através desses fatores de textualidade, pode-se avaliar a coerência de um texto por meio dessas metarregras, formuladas por Charolles (1988). Por fim, depreende-se a necessidade do envolvimento linguístico com o cognitivo social para o processamento textual. Apresentam-se, ainda, exercícios ao final de cada assunto, que podem ser utilizados como ferramenta para uma melhor compreensão do tema exposto, podendo ser utilizados inclusive em sala de aula, sendo útil ao aluno e ao docente para melhor exercer sua profissão.

Professora marcante


Em 1970 até 1980,  quando estudei os professores  eram rígidos, bem diferente dos atuais, pois não havia: diálogo, nem motivação. Existia um momento politico repressor, a “ditadura” dos anos 70. Alguns mestres chegavam a agredir atirando algo em cima dos alunos, ou humilhá-los com castigos. Somente ao chegar ao ensino fundamental, chamado na época científico, tive Antonieta como  professora de Literatura responsável pelo meu primeiro contato com os livros, surgindo o gosto pela leitura e literatura. Depois de apresentado esse universo não tinha como não gostar da disciplina e viajar nos livros. Atualmente a comunicação é mais leve, o professor não é um Deus ou autoridade em sala de aula, não está para intimidar, ou somente para passar conhecimento, mas principalmente motivar, promover inclusão social, interação com o aluno, família, comunidade, enfim, há uma troca.  O momento politico talvez não seja um dos melhores, mas já é outro  diferente do anteriormente mencionado, até a educação deve ser democrática.  Houve mudanças, melhorias, onde o aprendizado como um processo, não poderia ser diferente. Também creio que devo mencionar outro professor, o de artes, José Antonio, ele era muito extrovertido, tanto que assustava. Contudo, com ele podíamos representar no palco algumas peças teatrais o que era muito prazeroso. Boas lembranças, nem todas cabem descrever nesse momento, mas entre o passado e o presente, bom é perceber que as mudanças foram para melhor, e  que ainda conseguiremos mais adiante.

9.5.18

Um raio


incompreensão comedida
sensibilidade aflorada
melancolia  estancada 
           (infinda)
realidade transformada
rastros de consciência 
espelhos em toda parte

crucificação macerada 
certa reflexão indesejada
        agora um vazio 
      e esta dor não sai
         (can-sa)