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4.11.18


Hiberno

Voltei a hibernar preferindo ficar só  diante tantos fatos acontecidos nos últimos dias. Enxergar e confiar piora constantemente, processo seletivo. Tempos difíceis em nuvem cabulosa. A vida não é fácil, e eu ainda tenho um pouco de menina atrelada a velha ranzinza, só para complicar.  Tantos escuros, tantas caras feias mascaradas de falsas. Escaras de um passado vindo. Hiberno sol, solto o sonho enquanto durmo, mas tudo poderia ser bem melhor se não fosse o tal condicionamento de outrora☀️☀️☀️  Novos dias com retorno ao transtorno, permito-me escrever.
Hiberno

Endovenoso






Bolsa, tecnologia, batom
e alguma sabedoria high-Tech
creem nesta vertente
cabe pior na pia que nos acorrenta
desde a cria
sonhos virtuais e a violência caminha real
temos maçã, água tônica, fitness
massa cinzenta em escasso conduto
tamanho esforço muscular
é pouco compreender
na labuta diária, na batalha do ganha pão
 suor e hipocrisia
não caberia outra via vida
se não houver nesta lida
compreensão, amor, calmaria
bom senso
julgo equivocado
em toda via uma veia gama
fatidicamente jugular?

24.10.18

Pato

Dor no fígado, estenose hepática
na coluna, escoliose
no sangue a leucopenia
ombros, mão e dedos
tendinite
demais "ites"
se quase não vê ao longe
miopia
se nem  ao menos de perto
astigmatismo
articulações todas doloridas
febre reumática
sangue ruim
neutropenia
nódulos vários
até um indeterminado
dores nas pernas
pé chato
gastrite corriqueira
alergias
asma
enfisema pulmonar 
e assim vou vivendo com uma bomba
relógio em mim.

22.10.18

o QuE sErIa






Raro lido em livro findo que nem rindo mexerico vale a pena no tinteiro derramar. Força caixa entupida de gente, onde ouço vozes escassas,

num abafado estalar de gritos contidos dos que ousam pensar. 
Esmagador vácuo onde imaginam que vivem, hora enganam se que submersos pensar existir.
Engano de vida, ilhada, que assim sonham viver. 
Nesta caixa lotada de gente, meu coração sangra só, como se atolada sufoca-me o entrelaçar de viver, que seria conviver, imóvel morro sufocada pela cegueira alheia, que as correntes de ar hiper ventila, mata a sufocar, desoxigenamento cerebral, amputamento venoso, torrentes de ar, não respiro, apneia, dur mo no escuro, no seio da noite.


21.10.18

Na emoção sentida durante a leitura do conto “Negrinha”, de Monteiro Lobato, arrastando a dor da personagem que nos faz perceber que, mais do que o trajeto de sua vida até a morte, ainda carregamos na humanidade os preconceitos de antes. Uma leitura é capaz de mudar o mundo. Acreditamos nisso.
Josefina Maria.
"NEGRINHA 

Monteiro Lobato 

Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta?? Não. Fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados. Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos de vida, vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre farrapos de esteira e panos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças. Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada pelos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo no céu. Entaladas as banhas no trono uma cadeira de balanço na sala de jantar, — ali bordava, recebendo as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora, em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o padre. Ótima, a D. Inácia. Mas não admitia choro de criança. Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva. Viúva sem filhos, não a calejara o choro da sua carne, e por isso não suportava o choro da carne escrava. Assim, mal vagia, longe na cozinha, a triste criança, gritava logo, nervosa: — Quem é a peste que está chorando aí? Quem havia de ser? A pia de lavar pratos?? O pilão?? A mãe da criminosa abafava a boquinha da filha e corria com ela para os fundos do quintal, torcendo-lhe em caminho beliscões desesperados: — Cale a boca, peste do diabo!! No entanto, aquele choro nunca vinha sem razão. Fome quase sempre, ou frio, desses que entanguem pés e mãos e fazem-nos doer... Assim cresceu Negrinha — magra, atrofiada, com olhos eternamente assustados. Órfã aos quatro anos, ficou por ali, feita gato sem dono, levada a pontapés. Não compreendia a ideia dos grandes. Batiam-lhe sempre, por ação ou omissão. A mesma coisa, o mesmo ato, a mesma palavra provocava ora risadas, ora castigos. Aprendeu a andar, mas não andava, quase. Com pretexto de que, às soltas, reinaria no quintal, estragando as plantas, a boa senhora punha-a na sala, ao pé de si, num desvão de porta. — Sentadinha aí, e bico!! Hem?? Negrinha imobilizava-se no canto, horas e horas. — Braços cruzados, já, diabo!! Cruzava os bracinhos, a tremer, sempre com o susto nos olhos. E o tempo corria. O relógio batia uma, duas, três, quatro, cinco horas — um cuco tão engraçadinho! Era seu divertimento vê-lo abrir a janela e cantar as horas com a bocarra vermelha, arrufando as asas. Sorria-se, então, feliz um momento. Puseram-na depois a fazer crochê, e as horas se lhe iam a espichar trancinhas sem fim. Que idéia faria de si essa criança, que nunca ouvira uma palavra de carinho? Pestinha, diabo, coruja, barata descascada, bruxa, pata choca, pinto gorado, mosca morta, sujeira, bisca, trapo, cachorrinha, coisa ruim, lixo — não tinha conta o número de apelidos com que a mimoseavam. Tempo houve em que foi — bubônica. A epidemia andava à berra, como novidade, e Negrinha viu-se logo apelidada assim — por sinal, achou linda a palavra. Perceberam-no e suprimiram-na da lista. Estava escrito que não teria um gostinho só na vida, nem esse de personalizar a peste... O corpo de Negrinha era tatuado de sinais roxos, cicatrizes, vergões. Batiam nele os da casa, todos os dias, houvesse ou não motivo. A sua pobre carne exercia para os cascudos, cocres e beliscões a mesma atração que o ímã exerce para o aço. Mão em cujos nós de dedos comichasse um cocre, era mão que se descarregaria dos fluidos em sua cabeça, de passagem. Coisa de rir, e ver a careta... A excelente D. Inácia era mestra na arte de judiar de crianças. Vinha da escravidão, fora senhora de escravos e daquelas ferozes, amigas de ouvir contar o bolo e estalar o bacalhau. Nunca se N 
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afizera ao regímen novo — essa indecência de negro igual a branco; e qualquer coisinha, a polícia!! “Qualquer coisinha”; uma mucama assada ao forno, porque se engraçou dela o senhor; uma novena de relho, porque disse: — “Como é ruim, a sinhá!”.... O 13 de maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana. Conservava, pois, Negrinha em casa como remédio para os frenesis. Simples derivativo. — Ai! Como alivia a gente uma boa roda de cocres bem fincados!... Tinha de contentar-se com isso, judiaria miúda, os níqueis da crueldade: cocres, mão fechada com raiva e nós de dedos que cantam no coco do paciente. Puxões de orelha: o torcido, de despegar a concha (bom! bom! bom! gostoso de dar!) e o a duas mãos, o sacudido. A gama dos beliscões: do miudinho, com a ponta da unha, a torcida do umbigo, equivalente ao puxão de orelha. A esfregadela: roda de tapas, cascudos, pontapés e safanões à uma — divertidíssimo! A vara de marmelo, flexível, cortante: para doer fino, nada melhor. Era pouco, mas antes isso do que nada. Lá de quando em quando vinha um castigo maior para desobstruir o fígado e matar saudades do bom tempo. Foi assim com aquela história do ovo quente. Não sabem?? Ora! Uma criada nova furtara do prato de Negrinha — coisa de rir — um pedacinho de carne que ela guardava para o fim. A criança não sofreou a revolta e atirou-lhe um dos nomes com que a mimoseavam, todos os dias. — “Peste”?? Espere aí!! Você vai ver quem é peste. E foi contar o caso à patroa. D. Inácia estava azeda, e necessitadíssima de derivativo. Sua cara iluminou-se. — Eu curo ela! disse, desentalando as banhas do trono e indo para a cozinha, qual uma perua choca, a rufar as saias. — Traga um ovo!! Veio o ovo. D. Inácia mesma pô-lo na chaleira de água a ferver e, de mãos à cinta, gozando-se na prelibação da tortura, ficou de pé uns minutos, à espera. Seus olhos contentes envolviam a mísera criança que, encolhidinha a um canto, trêmula, olhar esgazeado, aguardava alguma coisa de nunca visto. Quando o ovo chegou a ponto, a boa senhora exclamou: — Venha cá!! Negrinha aproximou-se. — Abra a boca!! Negrinha abriu a boca, como o cuco, e fechou os olhos. A patroa então, com uma colher, tirou da água “pulando” o ovo e zás! na boca da pequena. E antes que o urro de dor saísse, prática que era D. Inácia nesse castigo, suas mãos amordaçaram-na até que o ovo arrefecesse. Negrinha urrou surdamente, pelo nariz. Esperneou. Mas só. Nem os vizinhos chegaram a perceber aquilo. Depois: — Diga nomes feios aos mais velhos outra vez!! Ouviu, peste?? E voltou contente da vida para o trono, a virtuosa dama, a fim de receber o vigário que chegava. — Ah! Monsenhor! Não se pode ser boa nesta vida... Estou criando aquela pobre órfã, filha de Cesária; mas que trabalheira me dá! — A caridade é a mais bela das virtudes! exclamou o padre. — Sim, mas cansa... — Quem dá aos pobres, empresta a Deus! A virtuosa senhora suspirou piedosamente: — Inda é o que vale... Certo dezembro vieram passar as férias com “Santa” Inácia duas sobrinhas suas, pequenotas, lindas meninas louras, ricas, nascidas e criadas em ninho de plumas. Negrinha, do seu canto, na sala do trono, viu-as irromperem pela casa adentro como dois anjos do céu, alegres, pulando e rindo numa vivacidade de cachorrinhos novos. Negrinha olhou imediatamente para a senhora, certa de vê-la armada para desferir sobre os anjos invasores o raio dum castigo tremendo. Mas abriu a boca: a sinhá ria-se também... Quê? Pois não era um crime brincar?? Estaria tudo mudado e findo o seu inferno — e aberto o céu??! No enlevo da doce ilusão, Negrinha levantou-se e veio para a festa infantil, fascinada pela alegria dos anjos. 
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Mas logo a dura lição da desigualdade humana chicoteou sua alma. Beliscão no umbigo e nos ouvidos o som cruel de todos os dias: — Já, para o seu lugar, pestinha!! Não se enxerga?? Com lágrimas dolorosas, menos de dor física que de angústia moral — sofrimento novo que se vinha somar aos já conhecidos, a triste criança encorujou-se no cantinho de sempre. — Quem é, titia? perguntou uma das meninas, curiosa. — Quem há de ser?! disse a tia num suspiro de vítima. — Uma caridade minha. Não me corrijo, vivo criando essas pobres de Deus.. Uma órfã... Mas, brinquem, filhinhas!! A casa é grande. Brinquem por aí a fora!! “Brinquem!!” Brincar! Como seria bom brincar! refletiu com suas lágrimas, no canto, a dolorosa martirzinha, que até ali só brincara em imaginação com o cuco! Chegaram as malas; e logo: — Meus brinquedos!! reclamaram as duas meninas. Uma criada abriu-as e tirou-os fora. Que maravilha! Um cavalo de rodas!... Negrinha arregalava os olhos. Nunca imaginara coisa assim, tão galante. Um cavalinho! E mais... Que é aquilo? Uma criancinha de cabelos amarelos... que fala “papá”... que dorme... Era de êxtase, o olhar de Negrinha. Nunca vira uma boneca e nem sequer sabia o nome desse brinquedo. Mas compreendeu que era uma criança artificial. - É feita??... perguntou extasiada. E, dominada pelo enlevo, um momento em que a senhora saiu da sala a providenciar sobre a arrumação das meninas, Negrinha esqueceu o beliscão, o ovo quente, tudo, e aproximou-se da criaturinha de louça. Olhou-a com assombro e encanto, sem jeito sem ânimo de pegá-la. As meninas admiraram-se daquilo. — Nunca viu boneca?? — Boneca?? repetiu Negrinha. — Chama-se Boneca?? Riram-se as fidalgas de tanta ingenuidade. — Como é boba! disseram. — E você, como se chama?  — Negrinha. As meninas, novamente, torceram-se de riso; mas vendo que o êxtase da bobinha perdurava, disseram, estendendo-lhe a boneca: — Pegue!! Negrinha olhou para os lados, ressabiada, com o coração aos pinotes. Que aventura, santo Deus! Seria possível?? Depois, pegou a boneca. E muito sem jeito, como quem pega o Senhor Menino, sorria para ela e para as meninas, com relances de olhos assustados para a porta. Fora de si, literalmente... Era como se penetrara o céu e os anjos a rodeassem, e um filhinho de anjo lhe viesse adormecer ao colo. Tamanho foi o enlevo que não viu chegar a patroa, já de volta. D. Inácia entreparou, feroz, e esteve uns instantes assim, imóvel, presenciando a cena. Mas era tal a alegria das sobrinhas ante a surpresa estática de Negrinha, e tão grande a força irradiante da felicidade desta, que o seu duro coração afinal bambeou. E pela primeira vez na vida soube ser mulher. Apiedou-se. Ao percebê-la na sala, Negrinha tremera, passando-lhe num relance pela cabeça a imagem do ovo quente, e hipóteses de castigos piores ainda. E incoercíveis lágrimas de pavor assomaram-lhe aos olhos. Falhou tudo isso, porém. O que sobreveio foi a coisa mais inesperada do mundo: estas palavras, as primeiras que ouviu, doces, na vida: — Vão todas brincar no jardim!! e vá você também!! mas veja lá!! Hem?? Negrinha ergueu os olhos para a patroa, olhos ainda de susto e terror. Mas não viu nela a fera antiga. Compreendeu e sorriu-se. Se a gratidão sorriu na vida, alguma vez, foi naquela surrada carinha... Varia a pele, a condição, mas a alma da criança é a mesma — na princesinha e na mendiga. E para ambas é a boneca o supremo enlevo. Dá a natureza dois momentos divinos à vida da mulher: o 
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momento da boneca — preparatório, e momento dos filhos, — definitivo. Depois disso está extinta a mulher. Negrinha, coisa humana, percebeu nesse dia da boneca que tinha alma. Divina eclosão! Surpresa maravilhosa do mundo que ela trazia em si, e que desabrochava, afinal, como fulgurante flor de luz. Sentiu-se elevada à altura de ser humano. Cessara de ser coisa e de ora avante lhe seria impossível viver a vida de coisa. Se não era coisa! Se sentia! Se vibrava!... Assim foi, e essa consciência a matou. Terminadas as férias, partiram as meninas levando consigo a boneca, e a casa reentrou no ramerrão habitual. Só não voltou a si Negrinha. Sentia-se outra, inteiramente transformada. D. Inácia, pensativa, já a não atenazava tanto, e na cozinha uma criada nova, boa de coração, amenizava-lhe a vida. Negrinha, não obstante, caíra numa tristeza infinita. Mal comia e perdera a expressão de susto que tinha nos olhos. Trazia-os agora nostálgicos, cismarentos. Aquele dezembro de férias, luminosa rajada de céu trevas adentro de seu doloroso inferno, envenenara-a. Brincara ao sol, no jardim. Brincara!... Acalentara dias seguidos, a linda boneca loura, tão boa, tão quieta, a dizer papá e a cerrar os olhos para dormir. Vivera realizando sonhos da imaginação. Desabrochara-se de alma. A repentina retirada de tudo isso fora forte demais para a débil resistência de uma alma, com um mês de vida apenas. Enfraqueceu, definhou, como roída de invisível doença consuntora. E uma febre veio e a levou. Morreu na esteirinha rota, abandonada de todos, como um gato sem dono. Ninguém, entretanto, morreu jamais com maior beleza. O delírio rodeou-se de bonecas, todas louras, de olhos azuis. E de anjos... E bonecas e anjos rodamoinhavam em torno dela, numa farândola do céu. Sentia-se agarrada por aquelas mãozinhas de louça, abraçada, rodopiada. Veio a tontura, e uma névoa envolveu tudo. E tudo regirou em seguida, confusamente, num disco. Ressoaram vozes apagadas, longe, e o cuco pela última vez lhe apareceu, de boca aberta. Mas, imóvel, sem rufar as asas. Foi-se apagando. O vermelho da goela desmaiou... E tudo se esvaiu em trevas. Depois, vala comum. A terra papou com indiferença sua carnezinha de terceira — uma miséria, quinze quilos mal pesados... E de Negrinha ficaram no mundo apenas duas impressões. Uma cômica, na memória das meninas ricas: — Lembras-te daquela bobinha da titia, que nunca vira boneca?? Outra de saudade, no nó dos dedos de D. Inácia: — Como era boa para um cocre!... "



O USO DE FERRAMENTA TECNOLÓGICA APLICADA AO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM SÉRIES INICIAIS



Rute Vasconcelos Santos
Josefina Maria dos Santos
Érika Caroline da Silva

Apesar dos avanços tecnológicos, muitas escolas apresentam resistência ao uso de tecnologias aplicadas ao ensino. No que se refere aos smartphones, em especial, essa resistência torna-se ainda maior, posto que muitas instituições proíbem o uso de celulares durante as aulas por considerarem que a ferramenta pode atrapalhar. Contrariando essa concepção, tentamos demonstrar que a tecnologia pode ser uma aliada no processo de ensino-aprendizagem. Para tanto, este trabalho tem como objetivo relatar uma experiência de ensino de língua portuguesa em uma turma do 5º ano do Ensino Fundamental. Para isso, aplicamos uma atividade de revisão ortográfica com o auxílio da plataforma Kahoot. Destaca-se que essa ferramenta tecnológica permite a criação de questionários, em formato de jogo interativo, com conteúdos programáticos relacionados a quaisquer disciplinas. O referencial teórico que fundamenta este estudo está centrado nas contribuições sobre (a) mlearning (GRUND; GIL, 2011; CABRERO E CASTAÑO, 2013); e (b) multiletramentos (ROJO, 2013; MONTE MOR, 2015). Os resultados demonstram que o uso da tecnologia contribui para o ensino de língua portuguesa, visto que os alunos puderam dialogar em grupos, refletir, relembrar e ainda criar estratégias para a resolução dos problemas apresentados durante a aplicação da atividade. Por meio da observação do uso dessa plataforma interativa e inovadora, a conclusão deste estudo aponta para a necessidade de inserção das práticas tecnológicas com a finalidade de contribuir com o processo de ensino-aprendizagem.

Palavras-chave: Kahoot, Ensino de língua portuguesa, M-learning.


4.10.18


Senhor tempo



Que eu possa viver com os limites e o controle de chaves de tempos
marcados por minha pessoa que controlar eu possa minha vida
e traçar enxergando nas futuras raízes; 
bons costumes, 
valores decentes 
e permitir ver
um mundo melhor. 
Quão simplesmente
melhor possa contornar as chaves
e limitar maldades.
Tão pouco para grandiosas melhorias.
Súbito é o passar do tempo que nunca chega a trazer nada de novo.
 Envelhecendo teus ais e ferindo com marcas do tempo.

3.10.18

"enfisematologia vitidiana"


Tento envelhecer a alma e  não consigo. Quanto mais o tempo marca o físico, mais sinto que rejuvenesço por dentro de mim, em atitudes que agora nem controlo tanto. Permito -me ousar, falo o que penso e  não procuro nem pesar ou medir o que irão pensar, oras bolas.
A antítese se instala e esbarra na ironia. Se amadurecer é ultrapassar valores, prefiro viajar na “irresponsabilidade” de adolescer eternamente.
 Quanto mais o tempo marca, mais descompassa  o contraste dos passos de pés descalços, do tempo que vai em vão, em raríssimas  horas. Andei com sinais de w ifi, refiz uma rede da qual nem pudera sentar, descansara no magnetismo de uma alma que não envelheceu, estabilizara a conexão a Ti.
 A antítese se instala e esbarra na ironia, o físico sem rejuvenescer. 
Se amadurecer é ultrapassar valores, de bolsa que cai não cai, prefiro viajar na inconsequência  de adolescer eternamente, a enxergar vítimas da intolerância corriqueira e mesquinha.
Tem uma tristeza instalada, precisaria partir e nunca mais sentir essa dor. Uma tristeza doída que invade a vida, arrasta a alegria, tira minhas risadas, acaba com meu sorriso,  tira  forças.
Isso tudo é muito ruim,  queria cavar esta dor, jogá-la bem longe para que ela não poluísse nada, não atingisse ninguém feito bomba  desativável sem causar males algum. 
É um vazio depressivo, um cheio inoportuno, uma depressão que vem se instalando, as vezes mascara, mas sempre reaparece.
Aumenta minha necessidade de voar, preciso de ar nesta “enfisematologia vitidiana”, procurei uma vida para esquecer uma dor.
Quero ar em todos os sentidos.


17.9.18

ABC..J


Inventei um lugar bem bonito, onde posso fingir que existo. Tem gente, pessoas e letras, muitas letras dais quais me permito espreitar. Lá esquece-se tudo que faça mal, que assusta, que poda. Há males em processo de mutação. Pode chegar o escuro,  não tenho tempo para pesar  medos. Só a  ansiedade maldita, ou bendita, avança neste vasto castelo; processos precisos. Cria-se uma máscara de desespero que afeta fantasmas, que foram personagens criados nessa história. As pessoas se assustam com a máscara, pois não sabem que não existe nem feio ou belo, existem cores nos sentimentos ocultos. Mesmo assim, é um lugar enriquecedor. Vale transcorrer essa passagem de luz. Se lá não fiz grandes amigos,  não carrego inimigos. Os fantasmas da alma não aparecem; ou não dou conta que lá estejam. Tem uma energia boa, coisa que só em gente isso tem. Quero ficar, e é preciso ir, entretanto tenho esse lugar que prolonga uma chama feliz. Tem o aprendizado desprovido de preconceitos, há em alguns príncipes cegos, muitos reis míopes, outros astigmáticos, um mundo manco precisa de muitas letras.

4.9.18

Vida de Maria





O vídeo, vida de Maria, um curta - metragem com direção de Marcio Ramos, retrata a vida do sertão, sem governo que proporcione melhores perspectivas de vida para as pessoas.
Precisam trabalhar para sobreviver nesta luta incessante, onde a educação não pode ser prioridade.
Seria a vida de todas as Marias, sempre sofrida, com o mesmo trabalho de geração a geração,  sem direito a nada, a não ser a espera da morte neste ciclo.
No filme desde a música  que ouvimos ao socar no pilão, temos  o ritmo de uma vida massacrada, com olhar vago no tempo, pois não há futuro, esperanças, nem sonhos.
Nesse tempo marcado do descaso passa-se a pensar até quando isso continuará, ou quando poderá surgir um comportamento contrário capaz de gerar mudanças?


Por eusoujosy
       Ruth

3.9.18

Caixa




entupida de gente
ouço vozes escassas
houve uma superação
em partes das classes
mexer em um livro pronto
tentar entender pessoas
apropriar se de alguém
descontrolar a si
perde se o caminho
há um labirinto de
de fatos feios
que  revoltam
como escrito final 
perde se o sentido
se  reescrito após parada temporal
tudo certo em tempo presente
força, fé e vapor
passas com lembranças e saudade
de um gosto do verde goiaba 
cheiro de pitanga saliveira
azedume de limão custoso
pimenteira que susta
energia pesada, arre
afeta o tino elétrico
gente que cospe no chão
morre na esquina
escorrega liso em cima
se não quebra a perna
 arrota no chão
solta pum e fere a nação?
marmota a carranca 
passa sem doce
acidez de azedume
cheiro fétido da usina
em dias frios
de povos sem prumo
olham se feio
o feio ri dos freios
impostos
torno zelos neles
corre entes críveis
cegueira mental
universo geral
de céu ao aqui
pasta se em geral
verde amarelo e anil
só não vi branquim
ai de mim

20.7.18

Tribo tupiniquim



Nasci para viver feito índio, nu em meio à selva, sem pilantragem. Não consigo infiltrar-me as formalidades vigentes, a burocracia impregnada, e a cordialidade cheirando  hipocrisia. Queima-se a erva daninha e o cheiro podre de quem mal pode andar entre fraternos. Não nasci para viver nesta selva de pajés ambiciosos, sorrisos entre dentes e carniça do próximo. Tudo o que eu quero é sorrir verdadeiro, enxergar amigos, pessoas sinceras, sem recear pisar falso. Preciso andar nesta mata de abutres, cães e diabos, preciso de um filtro que me de passagem, uma luz que traga a visão,  um coração de pedra para não sofrer com este bando de selvagens engravatados. A duras penas, penalidade máxima; viver entre eles como antropófagos, comendo uns aos outros. Entre cães e ratos, misturam todos, poucos escapam.

19.6.18

As cores traduzem em tudo um pouco de mim. Das náuseas das asas absurdas, as letras que deito e rolo. Escondo nada do que posso e permito quase nada do dito, aqui escrito.

2.6.18

Quase

                                        trago a certeza de que o corpo
                                      precisa voar um pássaro e um canto
                                    um passo, uma queda
                                uma queda e um provável voo
                            há um pássaro e um canto
               assustado em passo e em queda
       esperada queda e o instante
          voo de um provável abismo
           há um pássaro de duras penas
                             várias asas várias
                     quedas voos outras quedas
               duras penas, vagões
            enormes e muitas asas
       há um pássaro e o redescobrir
      e em meio a tantas quedas
      um voo sempre por vir
            por que o medo das asas?
               por que o medo das aves
                 que estão em vocês?
                      por que o medo de voar
                       se é na palavra voo
                        que me encontro?

31.5.18

Joana - em construção.


Carrego os percalços ando sem rumo em um rio sem mar.
Um pássaro aparece morto e Joana o enterra. (Ela parece que está longe, longe.)
Falta ar, está  escuro, não vejo saída nesta terra podre.
Vira o relógio que a hora acerta e outro dia recomeça. Finda a noite, o pássaro voa, Joana deixa o cemitério e me permito acordar dessa loucura pensante. O sol que agora brilha fortalece o cheiro de ave molhada, gente morta e um pássaro posto na gaiola.  Nada Joana abaixo do precipício. Quase nunca fora permitido viver e voar. Começaram as férias quem sabe, Joana e eu enterraremos um pássaro morto, e eu a faça entender alguma coisa. 

26.5.18

Engasgo

trago gole cuspido de café sem tomada
amargo olhar engolindo desejo seco
amarroto sorriso  aliso rugas revistas
com alma enternecida trago um rumo
                  sem rio
saboreio não desfruto  abro portas
passo luz  deixo  abertas finas frestas
visto vergonha engomada de pouca fé
                no armário   
goma endurecida  vidro via cristal
toco troco comprado repasso dinheiro
                     gasto
apanho bagagem quebrada  seco fio a fio
desentender te a noite passar no trilho liso
esperar o fim da via.  Des co nhe cer-te!
                    ~~——//\O

20.5.18

O vento

o vento que frag menta
proporciona brisa.
O mesmo vento que traz
tempestade
proporciona brisa.
Nem a mesma brisa nem
o mesmo vento
Nada terá o mesmo peso
Nada pode ser tal qual
Por mais que se queira
existir ao menos
uma barreira
um único empecilho
mesmo assim valerá
viver, sentir, cheirar,
amar, permanecer,
tentar, tessstar
Para ter a certeza
que viveu e não
obliterou;

16.5.18

Fotos narradas - app videoshow

Estamos narrando, através de fotos, algumas situações que chamaram nossa atenção na instituição, dentre as quais podemos mencionar tanto a quadra de esportes, que poderia ser coberta para melhor aproveitamento e conservação do espaço, quanto a presença de infiltrações, a falta de portas na maioria dos banheiros, entre outras coisas. Contudo, o que nos preocupa mesmo é a crescente onda de assaltos aos estudantes ao redor deste Instituto. Haja vista a violência urbana, e sua acentuação em detrimento da falta de iluminação e segurança pública, entre outros descasos resultantes de um sistema público decadente. Certamente, a falta de iluminação e de segurança ao redor da instituição contribuem para o aumento na frequência dos assaltos. Anteontem, após roubar o celular de um aluno, um assaltante ameaçou estudantes do Ifal através do aplicativo Whatsapp. Com o celular da vítima, o homem entrou no grupo da turma para avisar que estava aguardando os estudantes na saída, no mesmo lugar. Isso demonstra tanto a ousadia quanto a ciência do descaso do poder público em relação à segurança da população. A educação, que deveria ser a principal saída para melhores condições de vida, anda sendo ameaçada por falta de condições que permitam o mínimo de segurança no entorno das instituições de ensino, e essa ameaça parte também daquelas pessoas que  são vítimas do sistema, que deveria oferecer melhores condições de vida através da educação. Triste ironia.

Obs.: texto do vídeo app videoshow, fotos narradas.

Resenha crítica do filme “Escritores da liberdade”

Através da sensibilidade e conhecimento de uma professora ao utilizar métodos inovadores para o ensino, tanto na escrita quanto na leitura direcionada, a narrativa mostra o modo como ocorre a melhoria do aprendizado escolar, do convívio social e do entendimento entre as pessoas. A professora lida com uma turma de alunos que vivem em um contexto social violento e que enfrenta preconceitos diversos (racismo, intolerância religiosa, xenofobia etc). Com métodos de aprendizagem estimulantes e humanizadores, que operam tanto na escrita desses alunos, que contam seus problemas, quanto na abordagem da leitura, os alunos passam a conviver melhor uns com os outros, já que a aprendizagem amplia suas visões de mundo. De Richard LaGravanese, “Escritores da liberdade” (2007) mostra a luta entre gangues formadas por pessoas que possuem vários tipos de preconceitos e a consequente violência crescente em função desses desajustes. Além disso, a falta de autoconfiança por parte dos alunos leva-os a desacreditar na vida, e a perder a esperança. Por fim, todo esse processo é revertido e reconstruído na narrativa do filme através da leitura e da escrita, instrumentos importantes utilizados pela professora, para recuperar o gosto pela aprendizagem e o respeito naquela turma. Como ocorre com países em conflito, numa situação de guerra, o filme mostra que as divergências muitas vezes se passam em função da falta de diálogo e da falta de respeito às diferenças.

“Mulheres de Athenas” - comentário.

Análise de “Mulheres de Athenas” (1976), de Chico Buarque e Augusto Boal
Em “Mulheres de Athenas” (1976), composição de Chico Buarque e Augusto Boal, a submissão da mulher ao homem escrita em todos os versos.

“Mirem-se no exemplo...
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Athenas”

Como nos tempos de hoje ainda há mulheres que são submissas, indiferentes às lutas de gênero e feminismo, acredito que a análise da referida música pode trazer uma reflexão importante. A letra da música fala sobre mulheres do lar, sem desejos, que esperam por seus maridos, aceitam traição, não sonham, têm seus medos, são conformadas, não possuem desejos, aceitam sem reclamar e, justamente por isso, secam, ou melhor, morrem de todas as formas, pois não há vida onde não existe liberdade para viver. O machismo e a submissão das mulheres estão presentes em nossa cultura em todos os tempos. A letra trata dessa triste maneira de viver, em plena vida de renúncias por obrigação, apontando tal submissão com ironia, em busca de uma reação contrária por parte dessas mulheres. As mulheres de Athenas secam e morrem porque, diante da cultura machista, acabam se tornando submissas e coniventes com essa situação. A reflexão que fica é: que todas as mulheres nunca sejam mulheres de Athenas. Corroborando com o que o próprio autor Chico Buarque disse: “Eu disse: mirem-se no exemplo daquelas mulheres que vocês vão ver o que vai dar.” Trata-se de uma música bela e com certa dose de ironia, pois espera-se, ao contrário, que as mulheres ajam de maneira oposta, num perspectiva feminista. Contudo, uma crítica que cabe à canção no âmbito do feminismo é: são os homens que precisam dizer a maneira como as mulheres devem agir? Ou ainda: se as mulheres fossem realmente livres, os homens, únicos beneficiados com o machismo, precisariam dizer isso a elas?



15.5.18

Resumo do capítulo “Texto, contexto e coerência”, do livro Os sentidos do texto

CAVALCANTE, Mônica Magalhães. Texto, contexto e coerência. In: ______. Os sentidos do texto São Paulo: Contexto, 2013. p. 15-42.

RESUMO: A partir do ponto de vista da Lingstica Textual, o capítulo Texto, contexto e coerência”, do livro Os sentidos do texto, de autoria de Mônica Magalhães, discute a importância da coerência para a composição de um texto. Para a autora, um texto é coerente quando atinge uma unidade de sentido ou quando, do texto, é possível depreender uma intenção comunicativaO capítulo volta a atenção para as diversas concepções de texto e contexto, além de outros conhecimentos sobre a produção de um texto, que envolve o processo cognitivo social. É sugerida ao leitor uma reflexão sobre sua concepção textual a partir da abordagem dos gêneros textuais notícia e anúncio publicitário. Ambos possuem linguagens com sentido, público específico e uma determinada época. A autora demonstra que na produção de texto é preciso conhecimentos linguísticos e de convívio social e ressalta que atualmente a concepção de texto considera os contextos sociocomunicativo, histórico e cultural, competindo a interação do locutor com o interlocutor. Ao mostrar como exemplo de seu gênero a charge intitulada “aniversário de Brasília” exemplifica-se a ideia de que o contexto social inserido é necessário para a compreensão. Para explicar o processo cognitivo durante a produção de texto, de acordo com os estudiosos  Koch e Elias, Magalhães explica os três tipos de conhecimento: linguístico, quando o leitor/ouvinte usa seu conhecimento na interpretação do texto, como ocorre no gênero piada; enciclopédico, aquele que fica na memória permanente e é ativado durante a leitura, cujo exemplo dado é a paródia “Oração à Natureza”; e o interacional, que compreende que a linguagem ativa os conhecimentos que se referem às formas de interação, como ocorre no gênero notícia. Tais conhecimentos auxiliam na interpretação de texto, melhorando a capacidade de compreensão. Demonstra-se, durante o texto, a necessidade desses vários conhecimentos para que um texto tenha sentido, além dos conhecimentos que se encontram na superfície de um texto (cotexto), como o conhecimento implícito acionado pelo interlocutor para dar sentido (contexto), e que constituem o que permite a coerência ao texto. Um texto pode ser prejudicado ao apresentar algumas quebras de coerência e, para que isso não ocorra, deve-se ter atenção a esses aspectos: continuidade (permanência em seu desenvolvimento), progressão (informações que melhoram o sentido do texto), não contradição (respeitar princípios lógicos elementares), e articulação (modo como fatos e conceitos se organizam). Através desses fatores de textualidade, pode-se avaliar a coerência de um texto por meio dessas metarregras, formuladas por Charolles (1988). Por fim, depreende-se a necessidade do envolvimento linguístico com o cognitivo social para o processamento textual. Apresentam-se, ainda, exercícios ao final de cada assunto, que podem ser utilizados como ferramenta para uma melhor compreensão do tema exposto, podendo ser utilizados inclusive em sala de aula, sendo útil ao aluno e ao docente para melhor exercer sua profissão.