Análise: ÀS LÁGRIMAS DEVOTAS – Manoel Botelho de Oliveira.



    “Às lágrimas devota” é o soneto de Manoel Botelho de Oliveira, poeta do Barroco, que era brasileiro com nacionalidade portuguesa. Viveu no Barroco, período iniciado através dos jesuítas, no final do século XVI.
    O poeta faz uso de uma linguagem culta, utilizando figuras de linguagem, tais como: metáfora, antítese, características marcantes da época. No Barroco a escrita era dirigida aos aristocratas. Observa-se que no soneto o poeta retrata temas recorrentes à época. Trata-se de um período onde a catequese era para evangelizar os indígenas.
    Vale ressaltar que durante esse período predominou-se a dominação pelo Evangelho. Existia, escravidão, onde ao converter ocasionou uma espécie de apagamento cultural. Sempre em nome de Deus, e da igreja.
Este soneto, do poeta brasileiro, inserido neste mesmo tempo traçam as dores, nas lágrimas mencionadas, em um período onde a igreja exercia grande poder na sociedade. O poeta traz no soneto: Davi, Pedro e Madalena, todos os nomes bíblicos. Uma transformação, onde as “culpas mortais” são águas mortas às lágrimas de dor são águas vivas. Depreende-se que o soneto escrito no século XVII retrata a triste realidade da época.

Érika Caroline
Josefina Maria

MARIA NINGUÉM

Onde está o peso da culpa
De todas as mortes
em que indiretamente nunca 
participei?!
Na mesquita ou Suzano
 Há um esgoto não exposto 
na guilhotina
A máscara que não esconde
e ninguém quer ver
Uma mente sem limites 
Indigestos, Indefesos, Culposos!
Pedir esmola e negar
Noutro dia ver 
um sangue na calçada escorrer
Da mulher que pedia esmola 
Para viva permanecer
Droga!
De quem mais é a culpa?
Um país que não se arma em flor
Há um broto caído 
ainda estilhaça germinar
Vejo sangue em tons
vermelho vivo e escuro
Capaz de não enxergar como pessoa
Matar a velha vista e só seguir cego
na imposta culpa
própria

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