20 de abr de 2019

Maria ninguém

Onde está o peso da culpa
De todas as mortes
em que indiretamente nunca 
participei?!
Na mesquita ou Suzano
 Há um esgoto não exposto 
na guilhotina
A máscara que não esconde
e ninguém quer ver
Uma mente sem limites 
Indigestos, Indefesos, Culposos!
Pedir esmola e negar
Noutro dia ver 
um sangue na calçada escorrer
Da mulher que pedia esmola 
Para viva permanecer
Droga!
De quem mais é a culpa?
Um país que não se arma em flor
Há um broto caído 
ainda estilhaça germinar
Vejo sangue em tons
vermelho vivo e escuro
Capaz de não enxergar como pessoa
Matar a velha vista e só seguir cego
na imposta culpa
própria